Análises Gerenciais

EBITDA – Um indicador global para avaliação de desempenho de empresas e gestores

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Fonte da imagem: https://www.pexels.com

O EBITDA (Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortizadion), ou em português LAJIDA (Lucro Antes dos Juros, Impostos sobre o lucro, Depreciação e Amortização) é um dos indicadores mais utilizados para avaliação de desempenho tanto de empresas quanto de gestores. No entanto, é comum surgirem dúvidas sobre o seu conceito e motivo de importância.

Nas últimas décadas, tanto empresas quanto investidores passaram a ter atuação globalizada, ou seja, os produtos competem entre si nos mais diversos mercados e os recursos financeiros facilmente podem migrar de uma empresa para outra.

Um dos pontos de destaque na utilização do EBITDA é a sua capacidade de realizar comparações de eficiência entre empresas que atuam em diferentes países. Este tipo de análise seria comprometida devido à possíveis particularidades em suas legislações tributárias, regras de depreciação e também pela estratégia de financiamento escolhida para o negócio, a qual impacta nos juros de cada período. Desta forma, uma empresa que apresente resultado líquido em um país, não necessariamente seria mais eficiente que outra com lucro menor, mas atuante em um mercado com regras distintas.

Como este indicador é calculado com base em ajustes no lucro líquido apurado pela empresa, começaram a surgir diversas variações nas interpretações sobre os itens que deveriam ou não ser excluídos, colocando em risco a sua capacidade de comparabilidade. Em virtude desta realidade, em 04 DE OUTUBRO DE 2012, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) divulgou a instrução normativa 527, a qual regula a sua forma de apuração.

Segundo a instrução, o EBITDA deve ser calculado com base no resultado líquido do período, acrescido dos tributos sobre o lucro, despesas financeiras líquidas das receitas financeiras e também de depreciações, amortizações e exaustões. Para a sua apuração, não devem ser excluídos do lucro itens não recorrentes, não operacionais ou de operações descontinuadas.

Desta forma, para um exemplo simplificado, considere a seguinte demonstração de resultado:

DRE para Ebitda

  Conforme o conceito deste indicador, deve-se seguir o seguinte procedimento de cálculo:

Calculo do Ebitda

Observe que, havendo valores de depreciação na composição do custo do período, estes deverão ser também considerados no ajuste do resultado líquido.

Para a compreensão deste indicador, devem ser feitas algumas observações derivadas de sua metodologia de apuração:

  • Ao excluir do resultado os juros, o objetivo é mensurar o resultado do negócio de maneira independente de sua forma de financiamento;
  • Com a exclusão da depreciação e outras contas de natureza não caixa, bem como dos tributos sobre o lucro, apura-se o fluxo de caixa operacional antes dos tributos.

As despesas financeiras são decorrentes de decisões de estrutura de capital, ou seja, da estratégia de financiamento adotada pelo negócio. Desta forma, a comparação de resultados influenciados por estes valores poderia dificultar a compreensão da eficiência de uma empresa em relação à outras que tivessem formas de financiamento distintas.

Para exemplificar esta possível situação, considere as demonstrações de resultado das duas empresa abaixo, ambas atuando no mesmo mercado:

Comparação EBITDA

Neste caso, se a avaliação das empresas fosse realizada exclusivamente pelo resultado líquido, a provável conclusão seria que a empresa B é mais eficiente que A. No entanto, do ponto de vista operacional esta conclusão não seria adequada, pois a diferença nos resultados é gerado pelas despesas financeiras e os seus impactos nos tributos, ou seja, pela decisão tomada em relação à sua estrutura de capital.

A empresa com maior endividamento tem despesas financeiras mais elevadas e consequentemente menor lucro. No entanto, na apuração do EBITDA, ambas apresentam o mesmo resultado, ou seja, operacionalmente podem ser consideradas equivalentes.

Caso um investidor adquira a empresa A e faça um aporte de recursos para liquidação de suas dívidas, as despesas financeiras deixariam de existir e os resultados líquidos passariam a ser equivalentes. Assim, fica claro que para realizar uma avaliação deste tipo é mais adequado o uso do EBITDA.

No caso da depreciação, existem alguns motivos para a sua exclusão. O primeiro é o fato deste gasto não representar saída de caixa, o segundo por seguir regras contábeis e fiscais que podem variar em diferentes países e finalmente por não estar sobre controle dos gestores. Desta forma, uma avaliação de desempenho que levasse este item em consideração poderia influenciar na comparabilidade entre empresas em virtude de aspectos locais.

Por fim, os tributos sobre o lucro de uma empresa também estão sujeitos à regras de cada país e podem influenciar na comparabilidade do desempenho operacional. Além disso, da mesma forma que a depreciação, por se tratarem de regras legais também não estão sobre controle dos gestores.

O EBITDA procura indicar o potencial de geração bruta de caixa de uma empresa em virtude de suas estratégias operacionais implementadas. Pode-se interpretar que quanto maior o seu valor, maior a eficiência, capacidade de remuneração aos investidores e de realização de novos investimentos. Em empresas com elevado grau de endividamento, este indicador se torna bastante relevante pois o lucro líquido pode ser muito reduzido ou mesmo ser negativo devido às despesas financeiras, o que impediria a avaliação de sua eficiência.

Apesar do EBITDA ser um bom índice para avaliação de desempenho de uma empresa, não se deve basear exclusivamente neste indicador. Na verdade, uma boa análise deve levar em consideração um conjunto de parâmetros que possam avaliar desde o resultado final do negócio até a sua geração de caixa, assim como fatores de mercado. É fundamental que seja avaliado o risco do negócio e também o significado do resultado do ponto de vista do investidor.

Em resumo, o EBITDA é um indicador muito utilizado devido à sua capacidade de comparar empresas atuantes em diferentes mercados e com resultados finais impactados por particularidades locais, além de possibilitar a avaliação de desempenho de gestores sem levar em consideração fatores que não estejam sobre seu controle.

 

Sobre o autor:

Louremir Reinaldo Jeronimo é  Doutor em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas – FGV EAESP. Professor convidado dos cursos de MBA do FGV Educação Executiva e FGV In Company (Saiba mais)

 

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