Análises Gerenciais

Simulação de Monte Carlo e o Orçamento Empresarial

StockSnap_RM676MH2KP

Fonte da imagem: https://stocksnap.io/photo/RM676MH2KP

Elaborar um orçamento é lidar projeções de futuro, o que significa trabalhar com incertezas. Por mais que se estudem os cenários econômicos, políticos e de mercado, nenhuma empresa está imune à fatos novos ou mesmo à situações em que se cometam equívocos de avaliação, os quais podem fazer com que  a realidade seja muito diferente do que se imaginava.

Durante o processo orçamentário, uma série de decisões de investimento e de direcionamento empresarial são tomadas, sendo todas baseadas nestas visões de futuro.

Quando se estuda o investimento de recursos no lançamento de um novo produto por exemplo, geralmente é realizada uma análise de viabilidade que leva em consideração o montante de investimento necessário, os gastos de fabricação, as despesas logísticas envolvidas, o preço de venda, as condições comerciais e a demanda esperada – citando apenas alguns fatores relativamente comuns neste tipo de estudo.

Normalmente, com base nestas informações, projeta-se o resultado esperado e as consequências na empresa como um todo. O produto deste estudo é uma série de indicadores financeiros que podem apontar ou não para a aprovação do investimento, tais como VPL (Valor Presente Líquido), TIR (Taxa Interna de Retorno), ROI (Retorno sobre o Investimento), Payback, etc..

A aprovação ou não do investimento é decidida através da realização de uma comparação dos resultados esperados com os parâmetros mínimos exigidos pela empresa.

O mesmo processo é utilizado para aprovar planos de negócio empresariais. No orçamento são inseridas projeções elaboradas pelas diversas áreas, as quais são consolidadas e confrontadas com a expectativa evidenciada no planejamento estratégico da organização ou por uma determinação da alta direção.

Estes dois exemplos citados acima mostram o processo básico de aprovação de planos empresariais que pode ser observado no diagrama abaixo:

Processo de decisão - Monte Carlo

Em alguns casos, tentando conseguir uma melhor visualização dos possíveis resultados, projetam-se mais de um cenário (pessimista, realista e otimista, por exemplo). Em seguida, subjetivamente são atribuídas probabilidades de ocorrência para cada um deles de modo à procurar avaliar o risco inserido no contexto do estudo.

Basicamente, todo o processo de decisão se baseia no confronto entre o resultado esperado e o parâmetro de comparação pré-definido, ou seja, se aquele for melhor aprova-se e caso pior, recusa-se.

No entanto, todas estas avaliações ignoram o fato de que a quantidade de cenários possíveis, levando-se em consideração as diversas variáveis que podem impactar o resultado, são incontáveis. Diante disso, a pergunta normalmente não realizada é:

  • Qual a chance de que o resultado esperado, tomado como parâmetro de aprovação de um plano ou projeto, venha realmente a ocorrer?

A aprovação de um plano com resultado esperado excelente, mas que foi baseado em um cenário que tem apenas 5% de chances de vir a acontecer na realidade, provavelmente é uma decisão questionável. O processo tradicional de avaliação não responde de maneira satisfatória à esta questão e é neste contexto que surge a simulação de Monte Carlo no processo orçamentário.

Sempre que são feitas projeções, existem premissas assumidas e cada uma delas pode variar em maior ou menor escala. Além disso, a suas variações podem seguir comportamentos muito distintos entre si, situação esta que pode impactar diretamente no resultado esperado de um projeto ou plano de negócio.

O método de simulação de Monte Carlo baseia-se na geração de combinações aleatórias para as premissas de projeção, seguindo a amplitude de variação esperada para cada uma delas, bem como seu comportamento de maneira independente. Neste caso poderiam ser realizadas simulações que considerariam a variação esperada no preço unitário de venda de um produto entre o mínimo de R$ 10,00 e o máximo de R$ 12,00, enquanto a expectativa para a variação do custo unitário seria de R$ 4,00 até R$ 6,00. Além disso, poderia se considerar que os valores estimados dos preços de venda para simulação seguiriam uma curva normal, enquanto o custo unitário respeitaria uma distribuição enviesada para esquerda (a média tendendo a ser menor que a mediana).

Neste processo, seguindo os limites especificados, bem como o comportamento esperado de cada uma das variáveis, são realizadas literalmente milhares de simulações com combinações aleatórias dos valores das premissas, de modo a avaliar o risco envolvido no plano que se esteja estudando, além da probabilidade de ocorrência do cenário tomado como parâmetro de avaliação.

A origem deste método de simulação está associada ao projeto Manhattan, desenvolvimento da bomba atômica na Segunda Guerra Mundial, sendo que o seu nome faz referência à aleatoriedade ocorrida em jogos de cassino.

Para a realização da simulação de Monte Carlo, os seguintes passos devem ser percorridos:

  1. Definição de um modelo de decisão, contendo as premissas de simulação, o processo lógico de avaliação e o resultado final a ser estudado. Todos estes componentes podem estar presentes em um orçamento empresarial;
  2. Identificação das premissas de simulação, pois, eventualmente nem todas as presentes no modelo orçamentário podem ser objeto de estudo;
  3. Definição da amplitude de variação de cada uma das premissas de simulação;
  4. Definição do comportamento da premissa dentro da amplitude de variação esperada, ou seja, o tipo de distribuição a ser seguida pelos valores aleatórios das variáveis a serem utilizadas na simulação;
  5. Identificação da forma de avaliação do resultado. No caso do orçamento empresarial poderia ser utilizado o lucro esperado, o EBITDA, o VPL ou qualquer outro item que faça sentido no plano de negócio em estudo;
  6. Definição da quantidade de cenários a serem simulados. Da mesma forma que em pesquisas de mercado, neste processo pode-se calcular a quantidade simulações a serem realizadas de acordo com o grau de assertividade esperada;
  7. Realização das simulações com geração de gráficos de análise estatística para compreender o risco envolvido no plano em estudo e as probabilidades de ocorrência envolvidas.

Os recentes desenvolvimentos tecnológicos possibilitaram que a realização deste tipo de estudo passasse a ser acessível às empresas em geral. Atualmente existem diversos softwares que realizam este processo, sendo eles inseridos em planilhas eletrônicas ou em sistemas especializados de planejamento orçamentário. Alguns exemplos de ferramentas que possibilitam a realização da simulação de Monte Carlo são o Crystal Ball e o @Risk.

A simulação de Monte Carlo é uma poderosa ferramenta apoiar o processo de tomada de decisão, bem como a definição de metas estratégicas nas empresas.  Através de sua utilização, os gestores podem responder qual a probabilidade de ocorrência de um resultado antes de tomar uma decisão, a qual, anteriormente, era baseada no resultado derivado de alguns poucos cenários específicos. A sua utilização é indicada para qualquer etapa do processo de planejamento que envolva tomada de decisão e risco, principalmente, no apoio à elaboração do orçamento do planejamento estratégico, o qual é utilizado para dar suporte à análise de importantes decisões de médio e longo prazo.

Saiba mais:

Veja um exemplo de simulação de Monte Carlo

Como desdobrar a estratégia em metas orçamentárias

O orçamento empresarial e o seu papel

Prof. Dr. Louremir R. Jeronimo

 

Anúncios

3 respostas »

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s