Conceitos Financeiros e Contábeis

A Estrutura do Balanço Patrimonial Orçado

Balanco Orçamento Empresarial

Fonte da Imagem: Photo by Lukas from Pexels

O Balanço Patrimonial orçado é uma peça orçamentária bastante importante devido à sua função de permitir a reflexão sobre a posição financeira futura da empresa em decorrência dos planos estabelecidos por todas as áreas da empresa.

Para que as organizações extraiam os benefícios de um processo orçamentário estruturado, devem ser realizadas atividades periódicas de acompanhamento e controle, podendo ser utilizados procedimentos de identificação de variações, como o orçamento flexível, justificando os desvios observados, negativos ou positivos.

Desta forma, para que este processo de controle seja possível, o Balanço Patrimonial Orçado deve ser estruturado de acordo com a estrutura contábil. Isto não quer dizer que no orçamento devam existir todas as contas da contabilidade, pelo contrário, o plano de contas deve ser agregado de modo a melhorar a visualização e entendimento das consequências das projeções elaboradas.

 

Estrutura Básica do Balanço Patrimonial Orçado

 O Balanço Patrimonial Orçado deve ser composto por três grandes partes:

  • Ativo: São os bens e direitos, controlados pela empresa, avaliáveis financeiramente e que gerem benefício presente ou futuro para a empresa. Os bens podem ser classificados como tangíveis (máquinas, estoques, terrenos, etc.) ou intangíveis (marcas, patentes, direitos de uso, etc.). Uma das formas de compreender os direitos é como sendo um bem da empresa que esteja temporariamente sobre posse de terceiros, como o contas a receber, pois representa recursos financeiros que estão com os clientes.
  • Passivo: Este grupo pode ser entendido como as dívidas ou obrigações exigíveis da empresa, ou seja, apresentam vencimento e nesta data poderão ser reclamadas pelos credores. Devido à esta característica, alguns sugerem que o mais adequado seria chamá-lo de passível exigível;
  • Patrimônio Líquido: Neste grupo são representados os recursos dos proprietários aplicados no negócio, os quais podem ter origem em novos aportes ou na retenção de lucros apurados em sua operação. Os valores aportados pelos sócios são registrados em uma conta denominada capital e os lucros retidos ficam provisoriamente na conta lucros acumulados até que seja apresentada uma destinação no final do exercício, a qual pode ser desde distribuição de dividendos até o aumento do capital da empresa.

Graficamente, o Balanço Patrimonial Orçado pode ser apresentado na estrutura abaixo:

Estrutura Simplif Balanco

Um ponto importante é que as contas orçamentárias pertencentes a cada grupo devem ser organizadas de acordo com o seu grau de liquidez (velocidade de se transformarem em dinheiro) e exigibilidade (prazo de exigência de pagamento).

 

Conceito de Prazos

O Balanço Patrimonial Orçado, além de apresentar a separação de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, deve ser dividido em diversos subgrupos que têm como objetivo fornecer melhor qualidade nas análises das informações.

Conceitualmente, a primeira grande divisão existente no Balanço Patrimonial se refere ao prazo de liquidação de suas contas, tanto de ativo quanto de passivo, podendo ser representado graficamente em duas partes:

 Curto e Longo Prazo

Geralmente são consideradas como pertencentes ao curto prazo todas as contas a serem liquidadas antes de um ano, enquanto como longo prazo aquelas que ultrapassem este período.

Deve-se observar que, ao elaborar o orçamento empresarial, é normal que sejam projetados vários períodos e, dessa forma, a cada um haverá um Balanço Patrimonial Orçado. Este detalhe é importante pois o prazo para consideração como curto ou longo prazo é o vencimento a partir da data do Balanço, ou seja, se em janeiro houver uma conta a pagar com vencimento em 13 meses, esta deverá ser considerada como longo prazo. No entanto, na projeção de fevereiro, o seu vencimento passará a ser de 12 meses, devendo ser movimentada para o curto prazo.

Na elaboração do orçamento do Balanço Patrimonial é importante que estas movimentações de longo para curto prazo sejam adequadamente modeladas pois a sua classificação interfere em diversos indicadores de análise financeira, tais como, índices de liquidez, grau de endividamento, capital circulante líquido, entre outros.

 

Grupos de Contas do Ativo

O primeiro grupo de contas pertencentes ao Ativo é chamado de Circulante. Nele devem ser orçadas as contas que serão liquidados no curto prazo, ou seja, serão transformados em recursos, de forma mais rápida. Alguns exemplos a serem citados são os valores de clientes com vencimentos menores que um ano, estoques e aplicações financeiras de curto prazo.

O segundo grupo, registrando as contas de longo prazo, é chamado de Não Circulante. Nele podem ser encontrados quatro subgrupos:

  • Realizável a Longo Prazo: podem ser observadas as contas que a empresa tem intenção de transformar em recursos financeiros, mas que levará um prazo maior para que aconteça (mais de um ano). Alguns exemplos podem ser contas a receber de clientes com vencimento superior à um ano e aplicações financeiras com vencimento e intenção de resgate maior que este período;
  • Investimento: o primeiro ponto a ser chamado a atenção é que não se deve confundir os seus valores com aplicações financeiras. Na verdade, neste subgrupo devem ser registradas as participações em outras empresas, que não se destinam à venda, além de outras aplicações que não tem relação com a atividade operacional da empresa, tais como, ações de outras empresas, imóveis alugados a terceiros, obras de arte, etc.;
  • Imobilizado: devem ser orçadas as aplicações de recursos com caráter permanente e que tenham por objetivo a atividade fim da empresa. Ex. imóveis de uso, móveis, veículos, máquinas. Reduzindo este subgrupo pode existir uma conta chamada depreciação, a qual diminui o seu saldo e representa perda de valor por uso ou obsolescência. Este subgrupo geralmente é derivado do Orçamento de Capex;
  • Intangível: devem ser orçadas as aplicações de recursos em bens de caráter permanente, mas com característica não corpórea, tais como, marcas, patentes e softwares.

 

Grupos de Contas do Passivo e Patrimônio Líquido

Da mesma forma que o Ativo, o Passivo Orçado também deverá apresentar suas subdivisões.

A primeira também é chamada de Circulante, a qual apresenta as mesmas características do Ativo, ou seja, deverão ser classificadas as contas que serão, neste caso, exigidas rapidamente (até um ano).

A segunda subdivisão é o Não Circulante. Nele deverão ser classificadas as contas que serão liquidadas em períodos mais longos (superiores a um ano)

Por fim, há o grupo do Patrimônio Líquido. A característica deste é que suas contas não são exigíveis, ou seja, apesar de pertencerem aos sócios, apenas poderão ser retiradas da empresa após ao seu encerramento e liquidação dos compromissos.

Considerando todas as divisões descritas anteriormente, pode-se observar a seguinte estrutura modelo para o Balanço Patrimonial Orçado:

Balanço Patrimonial Orçamento Empresarial

O formato descrito acima é derivado da estrutura básica contábil, sendo importante que o orçamento empresarial siga os seus conceitos por diversos motivos. O primeiro é possibilitar a comparação para análises de real versus orçado para identificar desvios na estratégia do negócio. Um segundo ponto a ser destacado é possibilitar a análise da atuação futura da empresa de acordo com indicadores de mercado, tais como, índices de liquidez, de endividamento, etc. Por fim, é muito relevante que as projeções permitam a comparação com outras empresas do mesmo segmento de atuação, visando identificar desvios, oportunidades ou vantagens competitivas em seu plano de negócio.

 

Sobre o autor:

Louremir Reinaldo Jeronimo é  Doutor em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas – FGV EAESP. Professor convidado dos cursos de MBA do FGV Educação Executiva e FGV In Company (Saiba mais)

 

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