Conceitos Financeiros e Contábeis

Agências Internacionais de Classificação de Risco: Como as suas opiniões afetam a vida das pessoas?

Orçamento Empresarial Agencias de Classificaçao de Risco

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Recentemente, uma das maiores agências internacionais de classificação de risco rebaixou mais uma vez a nota do Brasil. Este fato, apesar de parecer irrelevante para a maioria das pessoas tem potencial para afetar o dia a dia de todos.

As avaliações de risco são realizadas por um grupo de agências que estudam a capacidade de um devedor honrar o pagamento de sua dívida, o qual pode ser o governo, uma empresa, instituição financeira ou mesmo um fundo.

De acordo com a instrução 521 da CVM, de 25 de Abril de 2012, a classificação de risco é a atividade de opinar sobre a qualidade de crédito de um emissor de títulos de participação ou de dívida, de uma operação estruturada, ou qualquer ativo financeiro emitido no mercado de valores mobiliários.

Atualmente os investidores internacionais têm a possibilidade de realizar investimentos em todas as partes do mundo, mas isso requer a capacidade de avaliar os mais diversos cenários em diferentes localidades. Neste ambiente, estas agências se tornam importantes devido à dificuldade de análise das particularidades existentes em cada país, antes de decidir onde aplicar recursos.

Assim, as agências de classificação de risco se tornam a fonte de orientação para estes investidores internacionais, os quais assumem oferecerem uma visão independente sobre o risco de crédito das instituições que avaliam.

Deve-se observar que, apesar dessa visão do mercado, as agências de risco sofreram grandes críticas e foram acusadas de terem falhado no caso das operações de crédito imobiliário dos Estados Unidos que gerou a crise financeira global de 2008.

As três agências de classificação de risco mais conhecidas mundialmente são Moody’s, Fitch Ratings e Standard & Poor’s. Para que as suas avaliações sejam executadas, geralmente as empresas e governos pagam pela realização do trabalho, pois sem esta análise teriam dificuldade em conseguir recursos no mercado.

As notas de risco normalmente utilizam letras, números e sinais matemáticos (+ e -). Esta classificação, chamada de rating, define dois grandes grupos:

  • Grau de investimento ou investiment grade: emissores considerados bons pagadores;
  • Grau especulativo ou speculative grade: emissores que apresentam  risco de não pagamento.

Os ratings das principais agências de risco internacionais são:

Standard & Poor’s Fitch Ratings Moody’s
Grau de Investimento AAA, AA+, AA, AA-, A+, A, A-, BBB+, BBB e BBB- AAA, AA+, AA, AA-, A+, A, A-, BBB+, BBB e BBB- Aaa, Aa1, Aa2, Aa3, A1, A2, A3, Baa1, Baa2, Baa3
Grau especulativo BB+, BB, BB-, B+, B, B-, CCC+, CCC, CCC-, CC, C e D BB+, BB, BB-, B+, B, B-, CCC, DDD, DD e D Ba1, Ba2, Ba3, B1, B2, B3, Caa1, Caa2, Caa3, Ca e C

 

Por que o rating de um país influencia a vida das pessoas?

Os investidores, tanto pessoas físicas quanto institucionais, utilizam o rating de um país como referência para a decisão de aplicação de seus recursos. Na verdade, há grandes fundos que, devido a regras estatutárias, não podem investir em emissores que não tenham a classificação de investment grade.

O fato é que quanto mais baixo o rating de um país, maior a sua dificuldade em captar novos recursos, fazendo com que a taxa de juros exigida pelo mercado aumente.

O Brasil é um país com desequilíbrio em suas contas e por isso tem a necessidade de captar recursos no mercado para poder honrar os seus compromissos ou rolar a dívida existente. Quanto menor o seu rating, maiores taxas é obrigado a pagar para que os investidores estejam dispostos a aplicar no país.

A forma como esta situação pode afetar a vida das pessoas acontece de duas principais maneiras. A primeira é que os juros pagos pelo governo na captação de recursos é referência para todas as outras taxas do mercado. Desta forma, havendo um aumento, a tendência é que o crédito em geral (financiamentos para aquisição de bens, cheque especial, crediário ou qualquer outra modalidade) se torne mais caro.

A segunda consequência é que a diminuição do rating tende a reduzir os investimentos no país, pois haverá exigência de maiores retornos para correr o risco apresentado. Na verdade, alguns investidores podem ficar proibidos de realizar tais aplicações, caso a situação seja de grau especulativo.

A redução na disponibilidade de recursos para investimento, associada a exigência de maior retorno devido ao risco, faz com que uma série de projetos deixem de ser realizados, reduzindo a atividade econômica do país. Esta combinação tem impacto direto na oferta de empregos,  o que afeta toda a população.

Em resumo, o rebaixamento de rating afeta diretamente a vida das pessoas pois aumenta o custo do crédito em geral e diminui a atividade econômica, gerando diminuição na oferta de empregos. Desta forma, as classificações de risco de um país, apesar de não serem totalmente compreendidas pelo público em geral, representam algo economicamente importante e que tem potencial para impactar o dia a dia de todos.

 

Sobre o autor:

Louremir Reinaldo Jeronimo é  Doutor em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas – FGV EAESP. Professor convidado dos cursos de MBA do FGV Management e FGV In Company (Saiba mais)

 

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